Katarina olhava fixamente para a chama da vela ao centro do quarto mal iluminado, pensava nas coisas estranhas que estavam acontecendo nas ultimas horas e não consegui achar uma razão sensata para isso, pegou uma das lanternas levantou e foi ao banheiro. Victor também estava olhando fixamente para a chama da vela, seu olho estava quase fechando e seu raciocínio não estava bem naquele momento, então não se importou quando de repente a chama da vela passou de laranja para um verde claro, mas avisou aos amigos ao lado apontando o dedo indicador para a vela. Léo e Diego se assustaram com o que viram a chama da vela estava agora muito alta e o verde estava mais intenso, Katarina saíra do banheiro e entrava no quarto quando escutou outro barulho vindo de trás da casa escura. Rapidamente apontou a lanterna para um quarto logo atrás dela, mas não viu nada, andou pelo corredor até o quarto escuro e focou a luz da lanterna pelo quarto, porém também não encontrou nada de estranho. Virou-se e olhou para o quarto a frente onde estavam seus amigos e estranhou a luz verde e forte. Entrou no quarto e ficou ao lado de Diego.
Uma sombra passa rapidamente pelo quarto, mas ninguém percebe nada além de Victor que estava tentando ficar sentado para olhar melhor a vela. Léo olhou para Victor, e percebeu que o amigo estava vendo alguma coisa que ninguém poderia ver, ficou ao lado do amigo e o ajudou a sentar.
_O que foi cara? – Perguntou Léo ajudando. _Viu alguma coisa?
_Vi... Está voaandoo... - Victor falou com uma voz baixa e arrastada e apontou a mão direita para um armário velho atrás de Diego e Katarina. _ Voa sobre vocês dois.
_Para com isso Victor, não tem graça! – Katarina ficou com mais medo ainda e brigou com o amigo. – Não gosto dessa brincadeira.
_Não me parece ser brincadeira, Victor pode está porre, mas eu o conheço e sei quando ele não está brincando mesmo estando alterado. – Falou Léo com os braços no ombro do amigo. _ Isso já aconteceu algumas vezes, e em uma delas eu também consegui ver o que ele via, parece que seus sentidos sensitivos aumentam quando ele bebe um pouco de mais. – Explicou.
_Mas eu não vejo nada em cima da gente. – Falou Diego.
_Esta chama verde... É um mau presságio... – Explicou o garoto com a voz baixa e arrastada e agora deu uma pequena enrolada na língua.
Enquanto isso do outro lado da cidade em uma casa branca em uma das ruas principais, um garoto de mais ou menos vinte e um anos de idade, cabelos negros, olhos castanhos claros, usava uma jaqueta de látex preta uma camisa listrada por baixo e calça jeans preta. Sentia uma forte presença na cidade, sabia que esses fenômenos de frio e chuva não eram normais.
Estava sentado a uma mesa de madeira e sobre ela havia um tabuleiro com símbolos de magia e em alguns pontos do tabuleiro havia umas luzes que picavam em cores diferentes, havia uma vela em cima da mesa iluminado o cômodo pequeno. O garoto levantou assustado e derrubou a cadeira, o silêncio e a concentração foram quebrados, levou a mão esquerda à boca e arregalaram os olhos, seu coração começou a bater desesperadamente e um frio começou em sua barriga e voltou a sentar-se em um sofá encostado a parede logo atrás.
Parecia prever o perigo que estava entrando na cidade aquele momento e não podia fazer nada para impedir. Tentou ficar calmo, fechou os olhos e respirou fundo e abriu os olhos novamente. Levantou do sofá e arrumou a cadeira e se sentou a mesa outra vez. Voltou a olhar fixamente para o misterioso tabuleiro, era como se estivesse lendo um livro. A chuva ainda estava muito forte e a essa altura muitas ruas da cidade já estavam alagadas.
O garoto passou o indicado direito pelo tabuleiro e identificou mais uma luz, estava em cima de um símbolo a esquerda parecia uma lua nova rodeada de estrelas. Ficou olhando para aquele ponto iluminado e percebeu se mover alguns centímetros para cima. O garoto parecia não entender o que estava fazendo, mas era como se tivesse que fazer aquilo.
Havia quatro pontos brilhantes em cantos diferentes, passou dez minutos olhando para o tabuleiro tentando entender aquilo. Desviou o olhar alguns segundo para a vela e percebeu que chama da vela estava mudando de cor lentamente para um roxo macabro. Uma sombra começava a sair lentamente de baixo da mesa. O garoto se levantou e apagou a vela, o cômodo ficou escuro levemente iluminado pelas pequenas luzes do tabuleiro e notou uma quinta luz aparecer no tabuleiro.
_O que serão essas luzes? – Pensou o garoto assustado. - E essa sombra que estava embaixo da minha mesa. E esse tabuleiro...? De quem será?
Dúvidas passavam pela cabeça do garoto que não quis mais saber do tabuleiro. O Fechou e o guardou numa gaveta em baixo da televisão. No escuro andou até seu quarto, tirou a jaqueta de látex preta jogou em qualquer lugar e deitou em sua cama. Ficou acordado algum tempo até cair no sono.
Victor não conseguia mais enxergar a sombra que sobrevoava Diego e Katarina. Léo ainda estava do lado do amigo. A chama da vela ainda estava verde e todos olhavam assustados para vela. Os barulhos atrás da casa pararam e a chuva finalmente pareceu diminuir. Já são 02h00min da madrugada e apenas Victor parece dormir nos braços de Léo. Katarina deitou na cama da esquerda e se embrulhou. Léo carregou Victor e o deitou em outra cama na direita. Diego pegou um colchonete dentro do armário e deitou o mesmo fez Léo. Conversaram alguns minutos e logo dormiram.
Ao amanhecer, a neblina ainda estava forte, porém a chuva havia passado completamente. Estava nublado e muitas nuvens de chuva no céu. Katarina foi a primeira a acordar, levantou e foi para a cozinha preparar o café da manhã. Diego levantou logo depois e cumprimentou a garota na cozinha e foi para o banheiro. Léo dormiu por mais alguns minutos e levantou. Victor não dava nem sinal de que ia acordar.
Os três ficaram na cozinha tomando café e discutiam o que aconteceu na madrugada.
_ Impressionante, não imaginei que viveria algo assim, parecia filme de terror. – Disse Katarina ainda meio assustada. – Não sabia que o Victor tinha o sexto sentido mais aguçado, durante todos esses anos ele nunca me disse nada sobre isso.
_Ele não gosta de falar nada pra ninguém, sabe que as pessoas vão ficar com medo e logo tentaram evitá-lo. – Explicou Léo. _Por um longo período Victor foi deixado de lado pelos amigos por causa disso, falavam que ele louco por que falava que via fantasmas, então parou de falar para as pessoas e foi sendo aceito de volta alguns anos depois, então depois de tanto tempo tentando evitar ver alguma coisa, ele definitivamente parou de ver... Até a alguns meses atrás.
_Como assim, ele passou um bom tempo sem ver nada, e há alguns meses atrás voltou a vê-los? Perguntou Diego.
_Que coisa... – Falou Katarina baixo.
_Aham, mas agora ele não fala para mais ninguém que consegue ver, pois tem medo de perder os amigos de novo. – Continuou Léo. _ Então quando ele acordar certamente não Lembrará muita coisa, tentem não tocar muito no assunto.
_Obrigado Léo, mas não vai precisar... – Falou Victor entrando na cozinha. _ Eu já não ligo para o que as pessoas pensam sobre eu ver ou não alguma coisa sobrenatural, se elas quiserem ser minhas amigas tudo bem, mas também não vou mais chorar se algum de vocês parar de falar comigo, eu já me acostumei com essa vida. – Falou Victor sério.
_Eu não vou parar de falar contigo, Victor. Desde pequeno que somos amigos, seria idiotice da minha parte. – Falou Léo.
_Eu também não... Apesar de dar um pouco medo. – Afirmou Katarina.
_Para mim não faz diferença, acabei de te conhecer então tanto faz. – Falou Diego.
_Obrigado... – Uma lagrima escorreu pelos olhos de Victor e rapidamente enxugou. _ Mas o Léo também tem o sexto sentido. - Revelou Victor.
_Verdade, eu agucei esse meu lado sensitivo esses anos ao lado dele, poucas vezes eu também senti e vi alguma coisa sobrenatural. – Explicou Léo desviando o olhar. _ É estranho e constrangedor estar em lugar onde só você pode ver coisas estranhas acontecerem.Continuou o café da manhã, os quatro ainda estavam assustados, mas logo isso ia acabar. Victor e Léo foram embora logo, antes do almoço. Katarina e Diego prepararam o almoço juntos e passaram o resto da manhã vendo filmes. O garoto da outra casa acordou tranqüilo, levantou e pegou o tabuleiro da gaveta em baixo da televisão. Olhou e a maioria dos pontos luminosos havia sumido apenas um estava andando lentamente pelos caminhos do tabuleiro.
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