segunda-feira, 5 de maio de 2008

GOLDSTREET Cap 1


Entrou no quarto, tirou a camisa molhada e jogou de qualquer forma na cama delicadamente arrumada, abriu o armário e pegou uma toalha limpa para enxugar-se, olhou para a janela e a chuva continuava forte, houve um relâmpago e logo em seguida um trovão, a tarde estava monótona como todas as outras na pequena Vila dos Cabanos. Havia uma pequena caixa dourada em cima da mesa do computador.
Estranhou o objeto, acabou de enxugar os cabelos castanhos claros e jogou a toalha úmida em cima da cama, andou até a mesa do computador e segurou a caixa dourada e pesada. Reparou um pequeno e resistente cadeado prateado trancando a estranha caixa. Revirou o objeto tentando abri-lo, mas não demorou muito tempo para perceber que era impossível com a ausência da chave. Um ar de mistério paira no ambiente, deixou-se ser tomado pela curiosidade, aliás, os humanos são todos assim.
Ainda sucumbido pela curiosidade deixou a caixa onde estava, e foi trocar a bermuda molhada. Não conseguia parar de pensar, eram tantas perguntas, saiu do quarto e entrou no corredor da casa que leva até a cozinha. Puxou a cadeira pesada, houve um barulho, e sentou-se à mesa. Almoçou com a família, mas não comentou nada sobre a misteriosa caixa dourada que aparecera em seu quarto, levantou-se após terminar e agradeceu pelo almoço.
A noite chegou, trazendo com ela o frio, sereno e a neblina. Não há estrelas no céu essa noite, pensou ao sair de casa. Vestia uma camisa de moletom marrom e uma calça jeans azul escura, andava pela rua distraído, havia poucas pessoas andando pelas ruas aquela noite soturna, nada de interessante acontecia naquela cidade, nem um evento ou festival, tudo é como sempre foi.
Andando pela rua do hospital, próximo a casa de um amigo, ouve uma voz o chamando. Olhou para o lado direito e havia um garoto de mais ou menos dezessete anos, cabelos pretos, alto e esbelto usando um casaco de couro creme e calças jeans preta também andando vagaroso e sozinho.
_Olha só quem resolveu sair da “toca”.
_É... Não consegui resistir a essa noite gótica. - Respondeu o amigo.
_Eu precisava sair de casa, não paro de pensar em uma caixa que me apareceu hoje no quarto, isso ta me deixando louco.
_Caixa? Por um acaso ela é toda feita a ouro e aparentemente antiga?
_Sim, como você sabe, cara?
_Foi justamente pelo mesmo motivo que preferi sair de casa agora, eu não consegui abri-la, há um cadeado prateado... Eu tentei quebrá-lo com um martelo, mas nem sequer entortou.
_Hum... Eu apenas a revirei, mas nem tentei quebrar o cadeado, pensei logo na chave e desisti, porém estou curioso.
Agora os dois andavam por uma rua mal iluminada, apenas um poste de luz estava piscando ao fim da rua, não há casas nessa rua apenas árvores, e um gato branco atravessava sutilmente a rua. A neblina estava mais forte agora, o frio parecia aumentar, nunca haviam vivido uma noite assim na cidade, não pelo menos que os dois garotos lembrassem.
_E agora... Essa noite macabra. Eu nunca havia vestido roupas de frio aqui na Vila, pois é sempre um calor infernal.
O garoto mais alto percebe algo se mexer ao lado esquerdo e olha para o lado, mas não vê nada, não havia mais sinal do gato branco, achou estranho, pois não há relatos de animas vivendo nas reservas dentro da cidade, poderia ser alguém, pensou, mais por que estaria escondido, talvez fosse apenas paranóia, mas parou de andar e assustou o amigo.
_Você não escutou nada ou estranhou nada? – Perguntou desconfiado ao amigo.
_Hum... –balançou a cabeça negativamente._ por quê?
_Eu escutei, mas não deve ser nada, vamos rápido.
Os garotos apertaram os passos, mas realmente havia alguma coisa naquela rua, algo extraordinário e inexplicável, algo que apenas um dos garotos percebeu ou talvez o outro garoto houvesse mentido sobre não ter escutado algo. Ao saírem da rua escura olharam para trás e viram o mesmo gato branco de antes atravessando a rua agora para o lado oposto. Estranharam, porém não ligaram. Agora estão em uma longa rua diagonal, havia algumas pessoas na rua, casas com luzes ligadas, podia-se ouvir o barulho de televisões ligadas e de músicas. Ao final da rua, uma praça deserta, o frio e a neblina intimidaram a maioria dos habitantes a saírem de suas casas.
Continuaram andando e conversando, ainda na rua diagonal, varias ruas atravessam-na, em umas dessas ruas havia uma garota alta, cabelo castanho escuro e de pele morena, olhos verdes e de uma beleza incomum, sentada à frente de uma casa fechada. Os dois garotos a conhecem e resolvem ir até ela.
A garota logo percebe que alguém se aproxima e rapidamente esconde um objeto que usa como um pingente para dentro do moletom roxo. Levanta-se e anda em direção aos dois garotos para cumprimentá-los.
_Olá! – Diz a garota.
_Oi, como você está? – Pergunta o garoto mais alto.
_Boa noite! – Cumprimentou o garoto mais baixo.
_Estou bem, mas fiquei trancada para fora de casa.
_Que bizarro “trancada” para fora de casa... – Abafou uma risada.
_É estou só em casa este final de semana mais tranquei o cadeado do portão e esqueci a chave dentro de casa, só estou com a chave da porta.
_E porque você não pula o muro?
_Há espinhos de ferro em cima e tenho medo de me machucar, tentei pedir ajuda para meu vizinho, mas parece que não tem ninguém. – Terminou de falar e apontou para a casa ao lado.
_Podemos ajudá-la. – Ofereceu o garoto.
_É, eu posso pular o muro se você quiser, é só me entregar à chave.
_Obrigado, tome é esta a chave da porta. – Tirou a chave do bolso do moletom.
O garoto reparou que havia outra chave pendurada no colar que ela usava, mas não ligou, porém o outro garoto também percebeu, reparou também que os desenhos que enfeitavam a chave eram semelhantes ao de seu cadeado prateado que trancava a caixa dourada. O garoto menor pegou a chave e subiu no muro e logo pulou para dentro.
_Viu? Foi tão fácil... – Soltou um sorriso e olhou para trás.
_Legal, mas cuidado com o Fofinho, acho que o deixei solto.
_ “Fofinho” um cachorro com esse nome não pode ser perigoso... – Pensou o garoto.
Ao mesmo tempo em que pensou e virou-se para trás deu de cara com um pitbull red nose marrom e com orelhas cortadas deitado na varanda da casa. Ficou paralisado ao vê-lo, calafrios atravessavam sua espinha dorsal de cima a baixo sem parar, o frio que fazia nas ruas eram brincadeiras de criança comparado ao de sua barriga naquele momento. Tentou correr, mas não havia forças em suas pernas bambas. Então a garota falou:
_Fofinho, fica quieto aí enquanto meu amigo abre a porta de casa. – A garota falou calmamente com o cachorro que estava deitado, o cachorro pareceu nem se incomodar com a presença estranha do garoto no meio do jardim.
_E... Esse é... É o “Fofinho”? – Perguntou o garoto que estava ao lado de fora.

_É esse sim, meu “Fofinho”, desde pequeno o chamo assim, você não acha ele fofo também?
_¬¬ Quem colocaria um nome desses em um pitbull red nose marrom de orelhas cortadas? – Pensou o garoto duplamente assustado.
_Hein? Você não acha? – Repetiu
_Ó sim! É o nome mais adequado pra essa raça. – Respondeu tentando não contrariar a garota._Normalmente as pessoas dão o nome de Céberos ou Syrius... – Pensou novamente.
Em uma tentativa desesperada de tentar andar, o garoto deixou a chave cair no chão, o cachorro levantou a cabeça ao escutar o barulho da chave caindo. Outra vez paralisou agora seu estomago passou de frio para quente, começou a suar mesmo estando no frio.
_Calma aí Fo... Fofinh... Nho... – Consegui pegar a chave caída.
Conseguiu andar tremulamente até a porta larga de madeira, logo abriu a porta e entrou, bateu a porta para o cachorro não tentar entrar. Era como esvair se em alívio.
_EI VOCÊ ESTA VIVO? – Gritou a garota do lado de fora. – A CHAVE ESTÁ EM CIMA DA GELADEIRA! – Gritou de novo informando o lugar da chave.
_ESTÁ BEM! – Gritou respondendo de volta.
Andou da sala de estar para o corredor, do corredor para a cozinha e encontrou a chave. Fez o caminho de volta e de dentro da casa abriu uma das janelas e jogou a chave para a garota que conseguiu pega-la. Abriu o cadeado do portão e entrou com o outro garoto.

Um comentário:

Victor disse...

O gato branco é o primeiro persongem secundario que aparece.